A segurança que vem do céu

por | 22/05/2020 - 10:57 AM | Notícias em Destaque

Fazem 21 anos que o Grupo de Radiopatrulha Aérea da Polícia Militar- GRAer começou agregar força no cenário da segurança pública do nosso Estado.
Com uma missão essencialmente constitucional de estar na linha de frente da manutenção da paz e ordem social, a Polícia Militar pensou e organizou maneiras de estar presente em todos os lugares, a qualquer momento. Assim, a atuação da nossa gloriosa Instituição nos céus não seria silente.
Tudo começou nos anos 80, quando, através do governo do Estado, a PMGO adquiriu seu primeiro helicóptero. A aquisição deste equipamento, a priori, criou uma lacuna na Corporação, que ainda não possuía uma tropa destinada ao serviço de patrulhamento aéreo. Por isso, no início, o helicóptero ficou à disposição do Serviço Aéreo do Estado de Goiás – SAEG.
O primeiro modelo foi um H350B – Esquilo, montado no Brasil, mas com tecnologia francesa. Decorrido cerca de sete anos, o Comando da Polícia Militar designou, à época, o Tenente Coronel Djair Bonfim de Melo, assessorado pelo piloto civil Roni Piagetti Souto, para iniciarem o projeto de implementação do serviço de radiopatrulha aérea na Instituição.
Em 14 de setembro de 1988 a aeronave foi recebida em totais condições operacionais. Com o passar do tempo, a Polícia Militar começou a dar os primeiros passos para fazer nascer uma tropa especializada em policiamento aéreo, que utilizaria o referido equipamento, sempre imbuída de um sentimento de melhorias e expansão.

A mais moderna tecnologia a serviço da comunidade: Falcão Zero Uno (primeiro grafismo).

E o projeto deu certo. Em poucos anos o policiamento aéreo surgiu, primeiramente, de forma embrionária quando era uma equipe de pronta reação da Segunda Seção do Estado Maior.  Posteriormente, com a criação da Companhia Independente de Operações Especiais (CIOE), a equipe de pronta reação foi incorporada como 4º pelotão da referida companhia (Serviço de Aviação Policial).
A organização desta unidade foi se aperfeiçoando e chegou ao ponto de pertencer ao Batalhão de CHOQUE em 1991, comandado, na condição de Companhia, pelo primeiro oficial da corporação a qualificar-se na Força Aérea Brasileira como piloto, o então Capitão PM Jorge Alves Sobrinho, tendo como auxiliar o 2º sargento Edgard Martins de Oliveira, primeiro mecânico de helicóptero da corporação.
A primeira missão do falcão zero uno composta apenas por militares aconteceu nesta época, especificamente em 1994, onde decolou com uma tripulação composta, além do comandante e do policial mecânico, pelo Tenente Jovânio, comandante de operação, e pelo Soldado Wellington, tripulante.
Em 10 de setembro de 1998, a segurança do céu de Goiás tornou-se independente e passou a compor a estrutura orgânica oficial da PMGO, como unidade administrativa e operacional autônoma, instituída pelo Coronel Eurípedes José Marques, Comandante Geral da época, que designou o Major Jorge Alves Sobrinho como primeiro comandante do GRAer.

Primeiro brasão do GRAer.

Posteriormente, já em 2003, assumiu o comando do GRAer o Tenente Coronel Jairo Alves do Nascimento que, em três anos, entregou o referido comando ao Tenente Coronel Mauro Douglas Ribeiro. Transcorridos os anos, já em 2010, assumiu a unidade o Tenente Coronel Ricardo Rocha Batista. Após cerca de um ano comandando essa tropa altamente especializada, assumiu, doravante, as rédeas da radiopatrulha aérea o Major Ricardo Alves Mendes, que teve duas gestões.
Entre as gestões do então Major Ricardo Mendes, o GRAer foi conduzido pelo Major Edson Ferreira Moura, que assumiu a unidade durante um período de 2011. Já em 2013, o Major Ricardo Ferreira de Bastos esteve à frente dos trabalhos do GRAer.
Mais recentemente, de 2015 à 2016, o grupo foi comandado pelo Major Dorvalino Câmara dos Santos Júnior, oficial que entregou o comando, posteriormente, ao Major Pedro Henrique Batista Alves de Paiva. Em 2018, os falcões da Polícia Militar trabalharam sob o comando do Major André Ribeiro Nunes.
Atualmente, a unidade aérea da PMGO é comandada pelo Major Rodrigo Barbosa. Além de comandantes da unidade, a maioria destes oficiais executaram também a função de comandante de aeronave.
A questão é que, quando pensamos na utilização de aeronaves como aliadas na garantia de segurança eficaz, remetemos nossa mente ao questionamento sobre o surgimento desta ideia. O uso de aeronaves no cumprimento de missões de polícia data de 1929. Nesta época, o Departamento de Polícia da cidade de Nova York operava com aviões no combate ao crime e em uma série de outras situações que desestabilizavam a vida social.
O emprego de helicópteros em atividades comerciais teve início no ano de 1946, sendo que dois anos depois, o mesmo Departamento de Polícia de Nova York colocou em operação a primeira aeronave de asas rotativas para o cumprimento de missões de polícia.
Buscando dar respostas adequadas às demandas sociais que, ao passar do tempo, sempre exigiram mais do poder público, as forças de segurança passaram a buscar iniciativas inovadoras de enfrentamento ao crime. As polícias militares, federal e civis passaram, cada uma em seu momento, a realizarem estudos e pesquisas no sentido de implementarem atividades de segurança utilizando o voo como recurso.
Um dos principais estudos realizados com o objetivo de analisar o uso de helicópteros para a vigilância policial aérea foi executado por pesquisadores da Escola de Administração Pública da Universidade da Califórnia do Sul, nos EUA, no ano de 1970.
Assim, forças policiais de vários países – Gerdameire Française, Carabinieri Di Itália, Granaderos Del México, Carabineiros de Chile, Polícias Municipais Americanas e Guardas Nacionais –  vêm, há anos, usando o helicóptero como recurso para o cumprimento de suas missões de policiamento, em diversos enfoques: controle de trânsito urbano e rodoviário; prevenção, controle e combate a incêndios; combate à marginalidade organizada; salvamento público; vigilância de rios e reservas florestais e segurança de dignitários.
Outro estudo que merece destaque, foi realizado junto à divisão de helicópteros da Polícia de Colombus, em Ohio, nos EUA, em 1981. Na época, a Câmara da Cidade calculou os resultados dos serviços prestados pela divisão o período de 1972 a 1980. Depois de uma criteriosa análise à coleta dos dados, restou comprovado que custava seis vezes mais operar com o número de carros que fariam o mesmo trabalho de um helicóptero.
Nessa mesma época, analisaram ainda que, um policial no ar tem um campo de visão de cerca de 700 pés e pode ver um objeto 15 vezes mais longe que um observador pode ver na terra. Além disso, a aeronave pode responder a um chamado de urgência em dois minutos, enquanto a média de um carro é de 5 a 6 minutos.
Por ser uma máquina altamente versátil, o helicóptero pode cumprir com eficiência inúmeras operações de polícia ostensiva, de salvamento e de socorro. De um modo geral, ele diminui o tempo de resposta da ação; possibilita maior flexibilidade e mobilidade nas operações, aumentando a área de influência e de presença policial; facilita a realização de operações destinadas a suprir exigências não atendidas pelo policiamento ostensivo normal; debilita o criminoso no campo psicológico; permite vencer distâncias e ultrapassar barreiras, dentre outras vantagens.
Atualmente, a PMGO conta com o apoio de duas aeronaves para os serviços específicos do GRAer, sendo eles um HB 350B – Esquilo, do fabricante francês Eurocopter e um AW 119-MKII – Koala, ambos caracterizados como “policial militar” por suas cores e inscrições. Os equipamentos são, então, empregados em atividades de patrulhamento preventivo e dissuasão de ilícitos, reforçando a força da Polícia Militar.

PMGO: A segurança de Goiás.