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Leia a entrevista do Comandante Geral ao Jornal Opção - Postado por: Ana Neves - 13/12/2012



O coronel Edson Araújo se encontra, certamente, em um dos postos mais atribulados do governo. Como comandante-geral da Polícia Militar do Estado, ele se vê envolto por vários desafios ao mesmo tempo: enfrenta a pressão da opinião pública tanto pela alta demanda em tempos de recrudescimento da violência — nunca se matou tanto em Goiás — como pelo envolvimento da tropa que comanda em situações no mínimo constrangedoras nos últimos anos: assim mostram casos como as operações Sexto Mandamento e Monte Carlo, assim caminham também investigações sobre as mortes do radialista Valério Luiz e do advogado Davi Sebba Ramalho.

Experiente em altos postos na corporação — já havia sido comandante-geral no governo Alcides, entre 2004 e 2006 — e também na participação em governos — atuou inclusive na Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), o comandante é também um grande defensor da PM e insiste que o papel que a instituição desempenha é único e fundamental. “Tudo no Estado pode falir, mas a PM é a rainha das instituições, tem de estar pronta para dar sustentação”, resume, não sem antes defender a tropa, cuja imensa maioria, ele assegura, é constituída de homens valorosos e íntegros.

Em sua segunda entrevista ao Jornal Opção — a primeira foi em janeiro deste ano, logo após assumir o posto — ele fala de assuntos polêmicos, como a relação entre Polícia Militar e Polícia Civil, a questão do desarmamento, a liberalização das drogas e até sobre o padrão de vestimentas e aparência das policiais militares. Mais: ele diz que pediu pressa à delegada Adriana Ribeiro na investigação do caso Valério Luiz, para que possa tomar as devidas providências caso haja mesmo indícios de envolvimento de policiais.

Euler de França Belém — O sr. trabalhou como assessor especial de Ricardo Balestreri, na Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp). O que esse período significou para sua carreira?

Depois de atuar em alguns cargos no governo do Estado, chegando a comandante-geral da corporação por dois anos. Quando saí do comando, no governo Alcides Rodrigues, fui convidado pelo Ministério da Justiça para ir para a Senasp. Lá atuei na Força Nacional por um período curto, cerca de dois meses e, então, tive o convite do dr. Ricardo, então secretário, para sua assessoria especial. Tive a oportunidade de conhecer o Brasil todo representando a secretaria. Participei do staff da Conferência Nacional de Segurança Pública secretariada por Regina Miki, hoje titular da Senasp. Conseguimos muita coisa boa nessa conferência, embora praticamente nada tenha saído do papel. Decidimos sobre a necessidade de um Conselho Nacional de Segurança Pública forte, que fosse reformulado, que se concretizou, mas não com a evidência que deveria ter. Falamos também, na época, de um Ministério da Segurança Pública — já que temos até Ministério da Pesca —, de se implementar uma política nacional para o setor e muitas outras medidas. Na Senasp, construímos uma possibilidade de reformular o sistema estadual de segurança pública que, na minha visão bem como na do dr. Ricardo, de que esse que temos está falido. O Brasil é o único país que tem uma polícia dicotomizada, duas meias polícias que não se entendem, duas metades que não conversam.

Euler de França Belém — E o que o sr. sugere?

A sugestão vem dos estudos que fizemos: que tivéssemos a situação que há em todos os países do mundo, com mais de uma polícia, mas de ciclo completo. A proposta do dr. Ricardo Balestreri era de que a Polícia Militar fosse responsável, inclusive como polícia judiciária pelos delitos com penas previstas de até quatro anos, de menor potencial ofensivo, enquanto a Polícia Civil se incumbiria dos crimes acima de quatro anos, mais complexos, como homicídios. Isso desoneraria a Polícia Civil das questões mais corriqueiras do dia a dia, que estão mais próximas da PM. A lavratura do TCO [termo circunstanciado de ocorrência] poderia ser feita pelo policial militar na rua, evitando que o cidadão, em caso de roubo de carro, por exemplo, tivesse de ir até a delegacia e fazer outro procedimento. Não tem de ter burocracia assim. Isso está inviabilizando o sistema e impedindo, por exemplo, a Polícia Civil de se dedicar a casos complexos, por desviar seu foco para coisas pequenas. Nesse novo cenário, ela seria como a Polícia Federal do Estado, cuidado de casos realmente graves e críticos. Quanto mais agilidade tivermos, melhor, com polícias autônomas, que não dependessem uma da outra. Isso poderia ser feito por territórios, como é feito na Europa. Não se criaria a situação que temos aqui, em que há uma interdependência e uma concorrência que, infelizmente, não é positiva. Pelo contrário, é destrutiva.

Euler de França Belém — E a possibilidade de unir as duas polícias?

Dentro da situação que vivemos, seria criar uma guerra intestina. Seria muito complicado, até porque uma é civil e outra é militar. Duas realidades diferentes. O dr. Ricardo falava que a melhor solução para resolver o problema das polícias estaduais seria uma separação, que não precisaria ser litigiosa, mas bem acordada, com definições de atribuições e que desse a interdependência, com começo, meio e fim de sua atividade. Mas o Brasil se demora nisso. Passamos por crises e greves. Tivemos uma paralisação da Polícia Federal por um período longo. Mas em que nível isso afetou a vida da população? O que a sociedade percebeu disso? Muito pouco. A Polícia Civil, quando parou, tem um pouco mais de consequências, mas, mesmo assim, são consequências administráveis, porque há outra polícia. Nossos estudos no Ministério da Justiça mostram que uma polícia única seria um risco para a democracia. Seria a possibilidade de inviabilização do Estado democrático, porque este ficaria refém de uma instituição que, se quisesse, pararia o País. Na verdade, precisamos, no momento atual, de uma polícia que tenha especificidades e que esteja atendendo o essencial de sua atividade para garantir a cidadania. A PM é um órgão especial: tudo no Estado pode falir, mas a PM é a rainha das instituições, tem de estar pronta para dar sustentação. Não podemos fazer greve, não podemos paralisar, não podemos suspender nosso atendimento e, se algum órgão ou alguma instituição parar, estamos sempre prontos para ocupar aquele espaço. A sociedade não pode pagar o preço ou ficar refém de sindicatos e outros organismos que tenham interesses corporativos. Não podemos admitir isso nunca, seria o caos social. Ainda hoje não temos uma forma de substituir o papel da Polícia Militar no Brasil, que é um papel muito importante, mas não é reconhecido, não tem a visibilidade que mereceria.

Euler de França Belém — O Conselho de Segurança não precisa ser mais efetivo, existir de fato?

Isso está vinculado intimamente à falta de políticas nacionais. Temos unidades federativas, cada qual com sua autonomia para definir o que deseja para sua segurança pública. Só que vivemos em um país cada vez mais globalizado. O Brasil está diminuindo em tamanho à medida que a imprensa e a tecnologia nos dá a agilidade do conhecimento do que está ocorrendo em todo o País, de forma on-line. O que acontece na segurança de São Paulo ou no Rio interfere no que ocorre aqui, vai se replicar aqui. Falta uma visão nacional, independentemente do que cada Estado planeje. Precisamos de parâmetros nacionais, do estabelecimento de princípios interessantes para a segurança pública. Falo isso do ponto de vista político, mas também do ponto de vista técnico. Já passou da hora, por exemplo, de a gente ter um banco de dados integrado, para o registro de todas as ocorrências no País, que controle os dados de todas as pessoas, uma identidade única. Temos tecnologia para isso já, deveríamos ter tudo centralizado. Tínhamos de ter um órgão central que comprometesse os Estados — logicamente respeitando sua autonomia como entes federativos — de forma tal que pudéssemos conseguir o mínimo de controle nacional, para que a criminalidade não se aproveitasse, como hoje se aproveita, dessas falhas que temos hoje. Esse é um déficit qualitativo que temos na segurança pública.

Euler de França Belém — Como o sr. avalia a distribuição dos recursos? Goiás é maior do que Portugal, Cuba eIsrael juntos, mas isso não é levado em conta na hora em que a verba é enviada. A distribuição dos recursos para a segurança não precisa ser repensada?

Sua pergunta já responde nosso questionamento de por que nosso País não tem políticas nacionais nem um Ministério da Segurança Pública. O que parece é que há a intenção de não se estabelecer um compromisso da União, que está muito cômodo para a União, que fica alheia e não precisa se comprometer política e financeiramente com essas questões. Só que em nosso País há uma concentração de recursos na União, os Estados não têm como bancar as demandas que a segurança pública traz. Na questão das polícias militares, observamos que elas precisam cada vez mais de aumento de efetivo para cumprir com a missão de prestar a atividade preventiva. Isso cresce em uma constante que é inversamente proporcional à capacidade de o Estado atender. Quando buscam solucionar o problema do efetivo das corporações, os governos acabam por rebaixar os salários ou não dar qualidade salarial. Isso é no País todo, não só em Goiás. Em São Paulo, um outro país, rico, dentro do Brasil, o salário do PM é inferior ao do policial de Goiás. A União precisaria ter uma participação maior, não só do ponto de vista financeiro, mas também politicamente, de planejar e definir uma política nacional. Hoje não temos isso, cada um faz o que quer.

Euler de França Belém — Há uma questão ideológica envolvida: a esquerda, representada pelo governo do PT, têm ideia de que os problemas de criminalidade têm ligação com o social. Qualquer país do mundo sabe que isso é lorota: os países desenvolvidos têm violência similar a de países que estão em crescimento como o do Brasil. O sr. não considera que é preciso rever esse tipo de pensamento?

É um equívoco grave. Sempre separo a violência da criminalidade, porque a primeira nem sempre é fruto da segunda. Se essas duas questões forem avaliadas sob um prisma único, fatalmente isso vai nos levar a equívocos, como tem ocorrido, aliás. Seria preciso fazer estudos muito mais complexos, pois são diversos fatores conjugados que levam a essa instabilidade que gera criminalidade e violência — aspectos culturais, econômicos etc. Esse tipo de pensamento não chega nem a ser uma meia verdade, é apenas uma faceta. Logicamente, uma melhor distribuição de renda melhora muita coisa em um país, mas analisar por um único prisma e criar uma política a partir disso pode levar a problemas sérios. Vivenciamos hoje, em um período pós-ditadura, ainda o tratamento ao criminoso como se fosse um prisioneiro político. Faz-se uma justaposição entre o tipo de preso do passado e o de hoje e se tenta romantizar a situação. Na prática, ocorre a implementação de políticas e ideologias que vão para a política criminal e acaba criando uma série de aparatos jurídicos que serviriam para garantir uma situação ao preso político. Só que isso é direcionado ao preso comum. No fim, a sociedade está pagando um preço alto, porque não estamos mais conseguindo retirar do convívio social aquele cidadão que não tem condições de ficar nas ruas, por conta de uma série de mecanismos da legislação que se estabeleceram e que inviabilizam muita coisa. O tenente-coronel Anésio Barbosa [assessor de comunicação da PM, presente à entrevista] escreveu um artigo recentemente em que fala do “prenda e solte”, comparando a situação que temos hoje no sistema à pesca esportiva e seu “pesque e solte”. Há a questão das fianças, por exemplo, e mais todo um aparato que se consolida em torno dos direitos garantidos do cidadão que praticamente impossibilitam a retirada das ruas dos cidadãos que cometem crimes. É a ideologia do desencarceramento: no âmbito mais alto da administração de nosso País se chegou à conclusão de que o cidadão só deve ser cerceado de sua liberdade em última instância. Isso na teoria é muito bonito, mas na prática coloca o cidadão refém do bandido. Não é mais a sensação da impunidade, mas a certeza da impunidade. Falava-se em “sensação”; hoje não é mais assim , o bandido tem certeza de que não será preso.

Euler de França Belém — O fato de a verba destinada à construção de presídios não ter sido utilizada mostra que não há preocupação em prender.

Sim, há formas explícitas e implícitas, subliminares, de encaminhar uma ideologia. Por exemplo, a verba é repassada, mas consolida-se uma série de condições que inviabilizam sua aplicação. Mas a gente vê também outra ideologia implementada que está trazendo consequências funestas para o País: a liberação das drogas. Ninguém tratou disso, não se ouviu a sociedade brasileira, mas o que vemos é que as drogas já estão liberadas, porque as polícias são oprimidas a combatê-las. Como cidadão brasileiro, não fui ouvido sobre essa medida. Estão implantando a liberação das drogas no Brasil de uma forma totalmente irresponsável e inconsequente, sem preparar os jovens para isso, não há nenhum processo pedagógico. Eles se deparam com as drogas nas ruas, nas esquinas, a todo o momento. A União deveria ter implementado uma política nacional para isso. Vamos ter consequências sérias em relação a essa situação: temos um grande número de pessoas se envolvendo e não há hospitais, não há uma rede de saúde preparada para isso no Brasil. Não existe tratamento para nossos dependentes. É uma ideologia que está sendo implantada sem a autorização nem a participação do povo brasileiro, com sequelas na vida das pessoas e que está atuando diretamente na segurança pública. Tínhamos 48 mil homicídios anuais há uma década e hoje já passamos dos 53 mil. É mais do que qualquer guerra no planeta. Isso é em razão das drogas. Com o crack, as pessoas estão se matando por 10 reais. Quem está morrendo são as pessoas de 14 a 23 anos, são os jovens negros, que estão em condição de risco maior. É preciso fazer algo, é necessário que as áreas responsáveis pensem sobre essa política equivocada. Está passando da hora de alguém parar e falar “nós estamos errados”.

Euler de França Belém — No governo do PT, as fronteiras ficaram mais desguarnecidas.

A leitura que tem de ser feita é: o Brasil está liberando as drogas. Pode dizer em letras garrafais: estão fazendo isso e o povo está sendo ludibriado, não percebe o que está acontecendo. Tudo o que está nas ruas, os pequenos furtos, os sequestros, tudo é para alimentar o consumo, o tráfico, enfim, o mercado das drogas. Se nada mudar, nos próximos dez anos vamos decretar a falta de condições de o Estado brasileiro dar segurança ao cidadão.

Euler de França Belém — O crime organizado tem muito a ver com a questão da droga, mas não é mais só a droga. Virou um problema nacional. Como está hoje o crime organizado em Goiás?

Basta visitar os municípios mais pacatos que temos. Há tentáculos do crime organizado em todo o País, embora às vezes só vejamos uma pontinha dele. As pessoas veem os viciados usando crack e às vezes reclamam que a polícia não combate esse tipo de ocorrência. Em Goiânia já há cracolândias. Só que não pesa mais sobre o usuário nenhum tipo de demanda legal, o cidadão sai da delegacia antes do policial. É muito bonito desestigmatizar o usuário, mas só que agora quem vai pagar o preço é a sociedade. O usuário hoje pode ir para a calçada e fumar.
Euler de França Belém — O usuário é um pequeno traficante. Dificilmente alguém começa a usar droga com o traficante, mas com outra pessoa que o repassa.

Na verdade, não há mais traficante. Sempre que um deles é pego pela polícia ele está com uma quantidade tal que pode dizer que é para uso dele — o traficante não vai ficar andando por aí com toneladas. Esse processo que fazemos de grandes apreensões é como enxugar gelo: enquanto pegamos uma tonelada, passam três ou quatro. Para a empresa criminosa não é nada.

Euler de França Belém — Onde estão as proteções nas fronteiras para evitar essa entrada das drogas?

Isso é outra falácia. Não existem condições de criar barreiras nas fronteiras, é praticamente impossível. Em um país continental, deveríamos reconhecer a impossibilidade de impedir a entrada de drogas e armas de forma ilegal e estabelecer condições para imputar responsabilidade grave a quem for flagrado naquela condição. Infelizmente isso não está acontecendo. Hoje o cidadão de bem foi desarmado — os cidadãos da zona rural estão totalmente desprotegidos — e o cidadão que a polícia prende armado e que sabemos que está se preparando para cometer um crime vai à delegacia, paga uma fiança e está solto. Pega outra arma e vai cometer seu crime. Na nossa situação de hoje, com as condições impostas pelo desarmamento do cidadão de bem, seria necessário dar prisão perpétua para quem fosse pego com uma arma.

Euler de França Belém — À época do referendo, o único jornal de Goiás que se posicionou contra o desarmamento foi o Jornal Opção. Sobre o crime organizado ainda, como está o “pé” do PCC [Primeiro Comando da Capital, uma das maiores facções criminosas do País] em Goiás?

Na verdade, temos de ver o crime como empreendimento. Assim, ele não está mais só nos morros. O que aconteceu na tomada dos morros, na ocupação ocorrida no Rio, foi como atacar um tumor e ocorreu uma metástase, mal comparando à medicina. O crime está modificando suas estratégias e houve uma disseminação. Hoje, as células atuam em todo o Brasil. Talvez haja uma disseminação um pouco menor em Goiás, mas o Entorno do DF é uma preocupação para nós, um contexto que precisaria ter, do ponto de vista estratégico nacional, uma análise diferenciada, para que não se repita lá o que houve no Rio. Os municípios que compõem o Entorno, infelizmente, são de pessoas que foram atrás de sonhos e passam por dificuldades. É um contexto sociocultural preocupante. Fiz uma avaliação da segurança na região, a pedido do governo, quando me ocupei de um diagnóstico que encaminhei ao Ministério da Justiça. Esse cinturão de miséria no Entorno vai acabar estrangulando Brasília. E não adianta construir um muro ou coisa parecida. Lá nos corredores de Brasília, vi alguns compararem a capital federal aos Estados Unidos e o Entorno do DF ao México ou à Faixa de Gaza. É como se fosse preciso criar uma barreira de contenção à miséria. Mas o que é preciso, de verdade, é a União despertar e ver que o Estado de Goiás sozinho não tem condições financeiras de sustentar um problema que nem é dele, que foi criado pela instalação da sede administrativa do País. Não fosse Brasília, teríamos por lá talvez apenas uma pacata Luziânia e uma ou outra cidade. Claro, não podemos contestar que a capital federal foi um avanço para a região, mas trouxe esses efeitos colaterais. Se esses efeitos não forem ouvidos, se nossa voz também for esquecida, se nada for feito algo para conter, Brasília também vai sofrer. O Distrito Federal já passou Goiás em número de homicídios e estão sofrendo com sequestros relâmpago, enquanto aqui o índice desse crime é praticamente zero. Brasília acaba por esquecer que não é apenas o Plano Piloto, que também tem um “Entorno interno”, que são as cidades-satélite: Ceilândia, Santa Maria, Gama, Planaltina, Recanto das Emas etc. Esse anel acaba por reproduzir o mesmo que ocorre no Entorno que se situa em Goiás.

Euler de França Belém — O deputado João Campos (PSDB) apresentou uma proposta, também referendada pelo deputado Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) para essa situação do Entorno que, se for aprovada, pode melhorar a situação.

Fizemos esse diagnóstico no Entorno, assim como também a área da educação fez algo parecido também, atos que ficaram conhecidos como Pacto do Entorno. Esse pacto precisa de vontade política da União para sair do papel. Precisamos atender aquela região com saúde, segurança e educação, antes que as coisas se agravem mais. Brasília, a sede da União, precisa despertar para uma situação que está caótica e pode ficar crítica.

Euler de França Belém — Fala-se que a polícia de Goiás não tem um planejamento estratégico. A gente sabe que tem. Mas o que ocorre, esse planejamento está falhando?

Não podemos fazer uma análise da criminalidade apenas por um contexto único. Não é possível avaliar esse recrudescimento da violência no Brasil apenas pelo viés da repressão. A segurança pública não é responsável por todas as políticas equivocadas que estão sendo implementadas. Não somos culpados dessa política de liberação das drogas, do afrouxamento das leis, que fazem com que ninguém fique preso. Enfim, só repressão não vai resolver o problema do País. Temos nossa capacidade e ela continua ativa. Tanto é que estamos prendendo, continuamos prendendo, e não temos presídios. A PM tem contado quantas vezes prende o mesmo indivíduo, tem pessoa que é presa 20 vezes pela mesma prática criminosa. E continua nas ruas. Tem alguma coisa errada e não é na atividade policial. Ao contrário do que se pensa, a coisa só não está pior ainda porque a polícia tem cumprido seu papel e até avançando em questões em que não deveria avançar. Sobre o planejamento, passamos este ano preparando a Polícia Militar para um 2013 melhor. Decidimos que, independentemente do que o número representasse, deveríamos fazer um levantamento técnico real do que a gente precisa em termos de efetivo para atender às demandas do Estado. Fizemos isso município por município, se precisa de patrulhamento rural, quantos homens etc. Nossa preocupação era de que cada município pudesse ser atendido de acordo com suas necessidades. Ao fim, fechamos um efetivo de 30,7 mil homens. Isso porque não completamos, até hoje, a meta de efetivo de 20 anos atrás, que era de 16 mil policiais. Precisamos de 30,7 mil para hoje, para cobrir todas as necessidades. Dizer isso para a sociedade faz parte de nosso planejamento também, é fundamental. Todo o restante de nosso planejamento se vincula a isso, porque, como, se você atua na gerência de uma empresa, se não há recursos humanos e materiais para executar? O que a Polícia Militar faz é tentar multiplicar suas condições da melhor forma possível. A despeito disso, tenho a visão de que não só Goiás, mas nenhum Estado brasileiro vai ter condições de consolidar o efetivo necessário para suas polícias militares, ninguém tem orçamento para isso. Precisamos de uma solução que possa viabilizar o trabalho com esse efetivo. As Forças Armadas fizeram isso há muito tempo: têm um efetivo profissional e tem, por meio do serviço militar, a complementação do efetivo de que precisam. Os Estados têm de fazer o mesmo. Já há uma lei tramitando na Assembleia para colocar a PM também com esse serviço militar, de forma voluntária. Goiás poderá ser modelo para as demais instituições do País. O Rio de Janeiro só conseguiu efetivar a tomada dos morros quando teve o efetivo com força suficiente para pacificar, ficar presente no local, com o Estado consolidado na gestão. O mais importante dessa lei do serviço militar voluntário é a preocupação estratégia que tem a ver até com a vinda da Brigada de Operações Especiais do Exército, que saiu do Sudeste e veio para Goiás. Temos de encaminhar esses jovens que saem da brigada para alguma atividade salutar, legal, porque senão aqui também, como aconteceu lá no Rio, essas pessoas bem preparadas serão cooptadas pelo crime organizado. Queremos prepará-los, habilitá-los, de forma que havendo um concurso na PM eles possam concorrer de forma diferenciada, para aí sim compor nossa tropa de forma efetiva.

Frederico Vitor — Como está a situação profissional dos soldados e outros policiais de patente mais baixa?

Nossos praças, soldados, cabos e sargentos não tinham plano de carreira e agora terão. Ninguém fica em uma empresa se não tiver expectativa de crescimento. O policial do passado talvez fosse mais acomodado, mas o soldado de hoje é concurseiro, não vai ficar em uma empresa se não tiver perspectiva de avançar. Vamos poder agora fazer um resgate de nossos policiais com um planejamento da carreira.

Euler de França Belém — Como o sr. vê a atuação do governador e novo secretário de Segurança Pública com a PM?

Por ser um profissional da área, ele se integrou rapidamente. Não vamos ter solução de continuidade por causa disso. Joaquim Mesquita tem uma inteligência acima da média e, apesar de ter pegado o bonde andando, captou muito bem nossos projetos, bem como sabe fazer o nosso governador, que agora faz um resgate importante: o dos policiais militares que atuaram na tragédia do césio 137, reconhecendo a bravura desses homens, a conduta diferenciada que eles tiveram em um evento tão terrível. Nas fotos da época, mostram o pessoal da Cnen com toda a proteção e nossos policiais apenas com a farda.

Euler de França Belém — Quantos policiais ficaram doentes?

Difícil dizer. Temos alguns que trabalharam lá e que já faleceram e outros que nem sabem se estão ou ficarão doentes, pois não se sabe quando vai aflorar o problema. Ainda outros ficaram depressivos. Descobri um caso de um policial excluído que trabalhou na tragédia do césio e que enveredou pelo caminho da bebida, transformou-se em um alcoólatra e hoje a gente sabe que aquilo que o tirou da corporação foi fruto de um processo de adoecimento. Precisamos rever casos assim, com muito carinho. O governador tem sensibilidade e conhece bem a corporação. Costumo dizer que as pessoas demoram a se apaixonar pela PM, mas ela faz as coisas acontecerem.

Euler de França Belém — Qual é o motivo de as escolas militares serem tão bem sucedidas?

Estamos indo em caminhos antagônicos, a escola pública convencional e a militar. A doutrina que vemos acontecer em diversas áreas faz com que haja também na educação um processo de desconstrução. Chegamos a ponto de que ninguém pode ser reprovado mais. Como é que querem acabar com a repetência? Investindo em professores e escolas? Não, suprimindo a reprovação. É uma decisão simplista e que está tendo um catastrófico para a formação de nossos jovens. Há gente saindo das escolas analfabetos funcionais. O que o colégio militar faz é avançar na contramão dessa filosofia. Acreditamos que precisamos de ordem, hierarquia, disciplina, organização, regras. É preciso estabelecer limites. Os jovens são carentes de disciplina. Fico muito preocupado, porque o que ocorre na escola está também nas famílias. A primeira educação é no lar e a desconstrução da família parece algo orquestrado, alguém está pensando nisso. Existe uma ideologia nesse sentido. O Estatuto da Criança e do Adolescente deveria ter sido elaborado para proteger as crianças dos abusos, com regras especiais para casos especiais. Não para tirar a autoridade dos pais. O Estatuto abriu brecha para que os jovens ficassem a serviço do crime.

Euler de França Belém — Um policial é acusado de estar matando moradores de rua. Ninguém merece ser assassinado por cometer um crime, a não ser em confronto.

Claro, nem policial nem ninguém pode matar. Essas pessoas estão em situação de risco e os órgãos responsáveis por elas deveriam dar encaminhamento rápido para retirá-las dessa condição. O ponto de vista que defendo, se for comprovada participação de PM, é o devido processo legal.

Euler de França Belém - O policial acusado tinha outros crimes?

Ele já teve outros problemas. A corporação até tentou excluí-lo. Esse é um aspecto interessante: o pessoal de direitos humanos, quando é para a marginalidade em geral, acha aceitável as cautelas da lei; mas quando é com um policial acham que o comando da corporação tem de usar as regras da Idade Média, mandar para o paredão, sei lá. Em uma situação de crime, o sujeito não está atuando como policial, se dissociou disso. Pode estar travestido de policial, mas não está representando a instituição. Esta é uma discussão que tenho com os direitos humanos: todos os casos que foram apontados tiveram processo legal de nossa parte e foram encaminhados para a Justiça. Mas são muitos os casos de policiais que foram excluídos, expulsos da corporação por condutas graves, mas que a lei os reconduz de volta. E sou obrigado a reintegrá-los. O que fazemos é colocar esses indivíduos em funções administrativas, o que acaba sendo, reconheço, algo arbitrário. Como há presunção de inocência, nem poderíamos fazer isso, mas fazemos. A pessoa fala então em me processar. E eu falo, “então que processe”.

Euler de França Belém — No caso da chacina do Jardim Olímpico, em que seis pessoas foram mortas, entre elas uma criança de quatro anos, há evidência de execução por um policial militar. Não é uma aberração matar uma criança assim?

É terrível, uma atrocidade, isso abate toda a corporação. Mas uma coisa é o comandante ficar abalado com isso como pessoa, revoltado até e querer tomar providências imediatas. Outra coisa é a posição legal como comandante-geral. Nesse sentido tenho de encaminhar tudo de modo a dar satisfação à sociedade.

Euler de França Belém — No caso do radialista Valério Luiz, se comprovada a participação de policiais, o sr. vai tomar as mesmas medidas?

Logicamente. O comandante da corporação é um escravo da lei. Se for comprovado o envolvimento de policiais no crime, isso não tem nada a ver com a função, é um desvio grave e que marcaria profundamente a instituição. Eu, estando no comando, minha posição será duríssima. O preço que a corporação está pagando por isso é altíssimo. Eu pedi prioridade para a delegada, dra. Adriana Ribeiro, que acelerasse o processo, porque a PM está sangrando, apesar de não ter nada a ver com isso. Nossa posição, se tudo for comprovado, repito, será duríssima. Ressalto que o comandante-geral, nesse processo, tem um papel muito importante, porque é um juiz no julgamento administrativo. É ele quem diz “excluo esse policial”. Por isso não posso precipitar minhas avaliações, em caso algum.

Thiago Burigato — E como está a questão da PM-2?

Fizemos uma operação conjunta em relação à prisão dos militares suspeitos da chacina, entre a Civil, a PM e a Corregedoria da PM. Se for preciso prender, nós prendemos. Estou desenvolvendo, na Corregedoria, um grupo especializado para tocar as questões complexas da instituição. Vinculei-os a uma área da PM-2, que vai avançar um pouco mais. A PM-2 nunca pôs a cara na televisão, mas estamos quebrando isso. A PM-2 vai aparecer mais, vai trabalhar mais. Todos os homicídios em que tivermos alguma suspeita de envolvimento, a PM-2 estará em cima e, se tiver alguma pontinha de participação de algum militar, estaremos em cima. Há um grupo de corregedores em trabalho conjunto com a PM-2, que agora fará um trabalho específico, nas questões graves da instituição.
Euler de França Belém — É da PM-2 que saem essas cartas anônimas?

Na verdade, isso é um processo cultural da instituição. Geralmente as cartas anônimas ocorrem quando existe um interesse interno em promoções, uma espécie de tentar fazer o descredenciamento, a desqualificação, dos concorrentes. É uma coisa até triste de a gente falar.

Euler de França Belém — Em relação às denúncias do deputado Major Araújo (PRB), é fato que promoções eram vendidas?

Fechamos o inquérito com base nessas denúncias. Não há nenhum indício do que ele disse. Infelizmente o deputado não quis ser ouvido. A denúncia não se evidenciou e, mais uma vez, vemos a questão como uma forma de descredenciamento.

Euler de França Belém — E sobre aquela questão de padronizar corte e cor de cabelo para as mulheres, proposta por uma capitã, como ficou isso?

O que discutimos sobre os colégios militares? Por que eles são diferenciados? Porque há uma série de requisitos para ser aluno: não se pode usar brincos extravagantes, o cabelo precisa de algumas medidas, a saia tem de estar a certa altura. Isso fez os colégios funcionarem bem, tem um resultado na aprendizagem. É isso que faz o colégio militar ser um colégio militar, dando condições para o professor ministrar sua aula com qualidade. O que me deixou feliz foi ver o tamanho da PM: até a cor da unha da policial feminina rendeu matéria nacional. Isso dá a dimensão de nossa instituição.

Frederico Vitor — O efetivo da PM do Distrito Federal é maior do que o de Goiás, com um território dezenas de vezes menor. Não seria o caso de ter a expansão do Fundo Constitucional também para nosso Estado, haja vista a diferença do soldo entre o policial militar do DF e o de Goiás?

Você me dá duas visões: na primeira, a União se encarrega do pagamento dos policiais do Distrito Federal, que se tornam, assim, os policiais mais bem remunerados do País. Existe um débito da União com o Entorno do DF. No mínimo, esse fundo constitucional deveria servir ao Entorno do DF. O que ocorre no Entorno não é de responsabilidade dos goianos, que pagam um preço muito alto. Mas você me dá oportunidade de vislumbrar outra questão: para um quadrilátero muito pequeno, que é a área do Distrito Federal, há 17 mil homens na ativa. já para este “país” que é Goiás, temos 12 mil. Só que o efetivo não é o único vetor capaz de controlar a marginalidade. Se não existir penas que possam preocupar quem comete crimes, se não houver revisão do repertório legal, não iremos a lugar algum. Outra questão é que um preso é muito caro para o Estado. Há tantas rodovias para serem cuidadas, por exemplo. Preso deveria trabalhar e não para ser um encargo para a sociedade. Preso não é vítima da sociedade, temos de deixar essa história. Na verdade, ele tem de produzir, tem de trabalhar, ganhar seu sustento, para não ser pesado para a sociedade. O ideal seria levá-los para uma colônia agrícola, para que eles gerassem recursos, frutos de seu trabalho.

Euler de França Belém — Os assaltos a caixas eletrônicos são feitos por bandidos de fora ou daqui mesmo?

O comportamento do crime organizado, como eu já disse, é empresarial. Hoje há até “franquias”: há quem alugue armas, quem abasteça veículos etc. São pessoas articuladas que atuam pelo Brasil todo e que, por aqui, pegam, vamos dizer assim, a mão de obra barata para entrar na operação, fornecendo armas, logística e planejamento. Há uma gestão do crime organizado. Não é uma questão de Goiás, só. Minas Gerais está sofrendo muito com essa questão de explosão de caixas eletrônicos, porque não afeta nem cidadãos nem bancos, que recebem da seguradora. Outro ponto: os bancos terceirizaram o risco, botando o cliente correndo risco nas lotéricas, nos terminais, nas padarias, nos supermercados, nos bancos 24 horas. Como a polícia pode dar segurança para isso? E o empresário tem uma bomba-relógio lá dentro.

Euler de França Belém — E contra o crime cibernético, o que a PM tem feito?

Vejo um avanço em relação a isso na polícia. Quando o Brasil conseguir estabelecer um controle do cidadão, por meio de uma identidade única e um banco de dados genético, por exemplo, a criminalidade mais bruta, mais grosseira, vai tender a diminuir, porque o crime ficará praticamente inviável. E o crime cibernético é o próximo passo da criminalidade.

Frederico Vitor — Andando pelas ruas, a gente vê que não faltam viaturas. Mas os veículos empregados pela PM são os adequados?

Primeiramente é preciso observar que demos um salto. Hoje o Estado se obriga a dar condições para o policial trabalhar. Lembro-me de que, um tempo atrás, nossas viaturas eram patrimônio da corporação. Tínhamos de ter mecânico e outros profissionais, para darem condições às viaturas. Elas ficavam 10 anos, 15 anos e o resultado era: pneu careca, sem seta, sem luz de freio. Estávamos andando na contramão da responsabilidade legal. E vivíamos de pires na mão atrás de prefeitos, empresários etc., o que gerava risco maior de desvios de conduta. Temos de pagar um custo que, na verdade, é um privilégio, de ter uma viatura em ótimas condições de atender ao cidadão. Goiás foi pioneiro nessa iniciativa e hoje diversos Estados estão fazendo isso. Mandei sumir com as chaves de fenda e colocamos os mecânicos que tínhamos para trabalhar nas ruas. Foi o maior avanço que a segurança pública fez em termos de logística. Discutir o modelo das viaturas é um segundo momento, o primeiro era ter a viatura. Sobre isso, não preciso de viaturas muito possantes, para fazer malabarismos pela cidade. Preciso de viaturas que façam o serviço básico de policiamento e possam servir à estratégia de fazer um cerco, caso necessário. Para outras questões tenho viaturas específicas: a Rotam, que faz parte de uma malha de recobrimento; e tenho o Giro [Grupo de Intervenção Rápida Ostensiva], que é uma equipe de motocicletas que tem condições de se deslocar rapidamente para uma determinada ocorrência. A viatura leve, que faz o policiamento rotineiro, está de bom tamanho, com motor 1.6. Vamos ter 1.380 viaturas que serão trocadas em todo o Estado, das quais 160 são caminhonetes, que farão patrulha rural, entre outras coisas.

Fonte: Jornal Opção


string(300) "Fico feliz quando leio uma matéria de tão grande importância para o exercício da vida; esta não foi diferente. Tenho a obrigação de mostrar meu posicionamento sobre os temas aqui abordado e as respostas segura e suasória do nosso comandante. É lamentável que homens como Cel.Edson não sejam políticos"
Comentado por: Rizzieri Lemos de Lucena
string(164) "MUITOS CIDADAOS DE BEM NO ESTADO DE GOIAS. ESTA É APENAS UMA SUGESTÃO.POIS A BANDA DA PMGO É EXCEPCIONAL.ESTA É A MINHA HUMILDE SUGESTÃO.SGT PM WILSON COPOM GOIANIA"
Comentado por: wilson de souza filho
string(300) "CMTE GERAL,ESTA É UMA SUGESTÃO DE UM SUBORDINADO.PARA ATRAIR MAIS A POPULAÇÃO PARA O LADO DA PMGO,QUE TAL NESTA ÉPOCA DE NATAL O SENHOR COLOCAR A BANDA DE MUSICA NOS PRINCIPAIS TERMINAIS DE ONIBUS DA GRANDE GOIANIA,TOCANDO MUSICAS RELACIONADAS AO NATAL E PELA PARTE DA MANHA E A TARDE.CONQUISTARIAMOS"
Comentado por: wilson de souza filho
string(298) "PARABÉNS CMT GERAL CEL EDSON, PELA CLAREZA E PROBIDADE COM QUE ABORDOU TEMAS COMPLEXOS E CONTROVERTIDOS QUE MUITA DAS VEZES A COMUNIDADE NÃO ABSORVE COMO DEVERIA SER ABSORVIDO. ASSUNTOS COMO DIREITOS HUMANOS, ESCOLA MILITAR E DROGAS É TUDO ISSO IPSIS LITERIS O QUE O SENHOR DISSE. CONTINUE NA LUTA."
Comentado por: nilton
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